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UMA IDEOLOGIA N�O SE IMP�E A UMA PESSOA BOMBARDEANDOLHE A SUA CASA (Isa)?





Islam no Brasil (Parte 1 de 4) - Programa Mulheres - TV Gazeta - Ramadan 2007 - Sao Paulo/SP



Em nome de Deus, o Beneficente, o Misericordioso

UMA IDEOLOGIA N�O SE IMP�E A UMA PESSOA BOMBARDEANDOLHE A SUA CASA

St.�. Ant�. dos Cavaleiros, 21.Maio.2003 Exm�. Sr. Director da Revista "Focus" � Sintra

ASSUNTO: Resposta ao artigo "A Sharia" da autoria de Carlos Ventura Martins, publicado na revista "Focus", n�. 187, de 14/05/03.

A humanidade tem regras sadias. Uma ideologia n�o se imp�e a uma pessoa bombardeando a sua casa, como s�o apologistas os Venturas Martins. Claro que ningu�m impede os Veturas Martins de Portugal e de todo o inundo irem (porque n�o v�o?) ter com George Bush, o apologista da pena de morte, �"um homem que j� foi drogado e b�bado � foi ele pr�prio que o confessou � que est� convencido de que � iluminado por Deus e que vai salvar o Iraque? E o pior � que pretende salvar aquele pa�s com bombas e tanques." Da� resultam duas preocupa��es: a "hecatombe ecol�gica e cultural" que o conflito b�lico est� a gerar, uma vez que o Iraque � uma civiliza��o antiga com rico patrim�nio. "E toda essa heran�a trata-se � bomba! Voltamos � barb�rie�. � (dito por Dr. M�rio Soares, no Porto). Quer dizer: para os Venturas Martins, a "Sharia" � fanatismo e barb�rie; justificar o que Bush fez no Iraque e querer "prosseguir a limpeza de Bagdad at� � minha casa de St.�. Ant� dos Cavaleiros", n�o � fanatismo e barb�rie??? E numa democracia ocidental? Onde os Venturas Martins t�m a liberdade de exprimirem a sua ideologia, mas os Mahomedes Adamgys n�o t�m!

Quanto aos Abdooles Vakiles devo dizer que foi publicado, quer no jornal "P�blico", quer na revista "Al Furq�n", que o historiador A. Karim Wakil reconheceu, por um lado, que foi �infeliz na utiliza��o do termo 'barbaridade'� e, por outro lado, afirmou que o jornalista Ant�nio Marujo �se tinha deixado seduzir pela tenta��o do t�tulo pol�mico e provocat�rio que deu a este texto� e que �a quest�o de Sharia, como durante a entrevista me esforcei por enfatizar, � uma quest�o complexa e delicada�, e que �fora omitido alguma parte do que tinha dito, confundindo, assim, o conte�do da entrevista�, e que �n�o era contra a Sharia na sua globalidade, tendo alguma d�vida sobre o c�digo penal...�.

N�o se deve confundir a Sharia Isl�mica com o Regime Ditatorial reinante na maior parte dos pa�ses �rabes ditos isl�micos, que de Sharia n�o t�m nada ou n�o a cumprem convenientemente; da�, n�o haver nesses pa�ses a tal democracia, moderada e equilibrada, de que sou apologista, e n�o da democracia desequilibrada, onde a liberdade � abusiva, insana e perigosa. A aplica��o da "Sharia" n�o � f�cil e s� autoridade dos dirigentes religiosos deve discernir os crit�rios da sua aplica��o, n�o a letra mas ao esp�rito, de acordo com a ijtihad (abertura que consiste no emprego das faculdades mentais e no emprego do m�ximo esfor�o para atingir uma decis�o).

De resto, a minha refer�ncia � Meca e Medina foi, sobretudo, por estes serem lugares sagrados onde os Mu�ulmanos v�o purificar os seus pecados; por conseguinte, a� a malignidade e outras indec�ncias jamais poderiam ter lugar descarada e publicamente, como t�m lugar nas democracias ocidentais (e n�o em St.�. Ant�. dos Cavaleiros, como vem referido). Um exemplo s�: recentemente, uma escola para prostitutas que foi aberta oficialmente na democracia ocidental em Amesterd�o, com o objectivo de ensinar as especialistas da mais antiga profiss�o do mundo a ganhar mais dinheiro, jamais poderia ser criada em Meca e Medina, na Ar�bia Saudita, fosse com regime que fosse.

Nunca disse defender o modelo do regime ditatorial Saudita; o que quis dizer foi "se em Portugal, ao ser; implantada agora a Sharia, n�o ter�amos uma sociedade melhor", ent�o, tamb�m em Meca e Medina, na Ar�bia Saudita ao ser implantada agora a democracia ocidental, n�o ter�amos uma sociedade melhor, tendo em conta a cultura e os usos e costumes nos respectivos pa�ses. N�o � s� indo para os jornais e, aereamente, chamar de "barbaridade" � Sharia (C�digo global de vida para mais de um bili�o de Mu�ulmanos) que v�o resolver o assunto. � preciso estudar, discutir e debater conjuntamente com os especialistas. Ali�s foi isso mesmo que, nos princ�pios deste ano propus, insistentemente, primeiro por circular interno na Comunidade Isl�mica de Lisboa, e depois atrav�s do op�sculo intitulado "Repensar a Mesquita em Portugal", uma maior transpar�ncia, um apelo � discuss�o aberta, franca e saud�vel das quest�es e problemas que, cada vez mais, est�o na ordem do dia. A proposta foi bem acolhida pela Direc��o da CIL, mas at� � data nada foi feito.

No que respeita � men��o de que �foi em nome desta "legisla��o divina" (Sharia) que os Ayatollahs do Ir�o decretaram a pena de morte para Salman Rushdie�, devo informar que 1)- essa condena��o de pena de morte foi s� e exclusivamente decretada pelo Ir�o. O resto do Mundo Isl�mico n�o o fez (embora tivesse condenado a atitude insultuosa e abusiva de Rushdie), naturalmente porque o Alcor�o, a esse respeito diz �N�o h� coer��o na mat�ria religiosa... Aquele que rejeita o sedutor (dem�nio) e cr� em Deus ter� lan�ado m�o de um sustent�culo firme, inquebrant�vel�. (2:256). �E aqueles que, entre v�s, renegarem a sua religi�o, e morrerem descrentes, as suas ac��es tornar-se-�o in�teis neste mundo e na Vida Futura. Eles ser�o os moradores do Fogo, onde habitar�o eternamente� (2:217); 2) � Na �poca, eu fui comprar o livro "Vers�culos Sat�nicos de Rushdie, li-o e ainda o tenho na minha biblioteca; n�o o queimei nem apoiei a morte do seu autor. Mas fui o �nico que, imediatamente, editou em Portugal o livro "Vers�culos Sagrados", em resposta a "Vers�culos Sat�nicos", onde n�o se responde aos insultos do Rushdie, (como agora n�o respondo aos abusos prepotentes do tal Ventura Martins) mas sim, para conhecimento do p�blico, se esclarece as cren�as isl�micas e alguns dos pontos duramente criticados e abusados por Rushdie. A Comunica��o Social, na �poca, registou isso.

E preciso ter, al�m de malvadez, estupidez e fanatismo, uma grandess�ssima ignor�ncia para os Venturas Martins acharem que "cartas como esta que defendem a 'Sharia" justificam que George Bush tenha feito o que fez no Iraque". Ignoram que o Iraque era um pa�s laico, onde n�o havia implantada a lei de 'Sharia', mas sim uma ditadura horr�vel que foi aplaudida e apoiada, desde o seu in�cio, e por longos anos, p�los EUA e por outros pa�ses do ocidente que fartaram-se de fazer neg�cios chorudos.

Em rela��o a �o Estado ter que ver com todos e a religi�o (ou a n�o-religi�o) tem que ver com cada qual�, deixe-me dizer ao tal Ventura Martins que isso, al�m de ser uma hipocrisia � uma grande mentira: Vejamos a quest�o de alguns pa�ses europeus n�o permitirem que as raparigas mu�ulmanas usem o v�u, A Fran�a diz 'somos um pa�s secular, n�o temos s�mbolos religiosos nas salas de aula', (Portugal tem s�mbolos religiosos nas salas de aula de algumas escolas p�blicas), mas a verdade � que quase todas as festas que s�o comemoradas nesses pa�ses, como a P�scoa, o Natal, s�o crist�s, n�o h� feriados em rela��o �s festas mu�ulmanas, como o fim do Ramad�o ou o fim da Peregrina��o, por exemplo. Alguns ocidentais ou crist�os podem n�o praticar ou prestar aten��o � religi�o de forma deliberada, mas comemoram a P�scoa, esperam ansiosamente pelas f�rias do Natal. At� as Na��es Unidas t�m feriado de � Natal, e n�o penso que assinalem o Ramad�o. Por isso seria bom que houvesse coer�ncia nas afirma��es e se fizesse mais esfor�o para compreender o ponto de vista dos mu�ulmanos, em vez de, ignorante, incompetente e fanaticamente combater o Isl�o, uma religi�o universal que, embora j� tenha mais de 14 s�culos, conserva ainda mesmos valores e ganha, todos os dias, cada vez mais adeptos na Europa e no mundo, tendo dado cartas ao mundo na altura da �idade das Trevas�, �quando � segundo o honor�vel Bertrand Russel � a Europa se afundava em barbarismos. Os Europeus, com uma insularidade imperdo�vel, chamam a este per�odo "os anos negros", mas s� na Europa existia, na verdade, a escurid�o, com a excep��o da Espanha, que era mu�ulmana, e possu�a uma cultura brilhante�.

Yiossuf Adamgy
Director de Al Furq�n
Editado por:
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