Em nome de Deus, o Beneficente, o Misericordioso

 

O ISLÃO: a Última Religião Revelada

 

Um olhar sobre a necessidade de revelações sucessivas

Deus (ar. Allah) não faz as coisas de modo incompleto; imperfeito ou em vão.

Cada religião (ar. din) revelada não vem, portanto, completar as religiões

anteriormente reveladas, nem rectificá-las, nem fazer com elas uma repetição

desnecessária. Uma nova revelação é, de facto, um ACRÉSCIMO de misericórdia

concedido por Deus para compensar a evolução da degenerescênia espiritual

da humanidade. As suas principais funções e características são as seguintes:

 

            a) - Ela vem expor de novo, em toda a sua transcendência, a verdade a respeito de

Deus; verdade doutrinal que os homens haviam mais ou menos esquecido. E Deus, em

Sua Ciência e em Sua Misericórdia, volta a expor esta verdade imutável segundo as

modalidades de expressão mais apropriadas à mentalidade do povo a quem Ele se

dirige e as mais adequadas às circunstâncias que motivaram esta nova revelação. Este

ensinamento está, além disso, mais desenvolvido e mais explícito do que o da

revelação precedente, visto que ele vem compensar o declínio incessantemente

crescente dos conhecimentos espirituais da humanidade.

            b) - Ela vem confirmar as revelações e os mensageiros anteriores.

            c) - Ela denuncia as deformações, as anexações ou as amputações que os homens

puderam trazer às revelações anteriores e expõe, em conformidade, normas

dogmáticas para preservar os crentes de tais desvios.

            d) - Ela restabelece, assim, o culto monoteísta completamente puro.

            e) - Ela vem, por fim, reactualizar os rituais (no seio dos quais a oração ocupa

um lugar central); os meios de origem divina que permitem ao Homem voltarem para

Allah. Quanto mais a humanidade acentua a sua queda afastando-se do seu Senhor,

mais Allah aumenta, de revelação em revelação, a abundância e a eficiência destes

meios de regresso para Ele; e, tendo em conta as dificuldades crescentes, inerentes à

degradação do mundo, que encerram sempre mais o crente, Allah, em misericórdia

e em favor, flexibiliza e facilita cada vez mais as modalidades de cumprimento dos

rituais.

 

No Islão, por exemplo, o crente não precisa mais de clero algum, e a Terra inteira

é meio de purificação e lugar de oração para ele. Assim, qualquer que seja a

adversidade que o possa atingir neste período de fim dos tempos, nada se encontra

em condições de impedir a sua prática.

 

O Islão: a última religião revelada

 

Historicamente falando, o Islão (ar. al Içlam} é a última religião revelada e a

missão do Profeta Muhammad [em português vulgarmente conhecido por Maomé]

(s.a.w.) veio fechar o ciclo da profecia para a humanidade (cf. Alcorão, 33:- 40).

 

O Islão é, por este feito, o acabamento da Misericórdia Divina para o conjunto da

humanidade. É por isso que, num dos últimos versículos Alcorânicos, no momento em

que a missão do último dos Profetas estava próxima do seu fim, Deus disse:

 

«Hoje, completei para vós a vossa religião; e terminei o Meu Favor sobre

vós; e satisfaz-Me que o Islão seja a vossa religião». (Alcorão, 5:3).

 

Mas o Islão não se apresenta na qualidade de novidade. Como todo o Mensageiro

Divino, o Profeta Muhammad (s.a.w.) veio restaurar a Religião puramente monoteísta

(din hanïj) e imutável (din qayyim) que é o estado de total e confiante submissão

natural do Homem para com o seu Senhor, isto é, o puro monoteísmo: «Dizei-lhes:

Na verdade, o meu Senhor orientou-me para um caminho de rectidão; deu-me

uma religião imutável, na fé de Abraão, o hanif (monoteísta) que não era

politeísta! Dizei-lhes: Na verdade, a minha oração, as minhas práticas, a

minha vida e a minha morte estão consagradas a Deus, o Senhor dos Mundos,

que não tem associados. Eis o que me é ordenado, e eu sou o primeiro

daqueles que se submetem». (Alcorão, 6:161-163).

 

«Dizei: Cremos em Deus, e no que nos foi revelado, e no que foi revelado a

Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacob e às (doze) tribos, e no que foi dado a

Moisés, a Jesus e aos Profetas, da parte do seu Senhor. Nós não fazemos

distinção nenhuma entre eles, e submetemo-nos à Vontade d'Ele (somos

muçlimun). Quanto àquele que deseja outra religião que não seja a Submissão

a Deus (Içlam). Nunca lhe será aceita e, na Vida Futura, estará entre os

perdedores (de todos os bens espirituais)». (Alcorão, 3:84-85).

 

O Islão, na qualidade de última religião revelada, detém a herança das mensagens

anteriores e está encarregue de uma missão universal. Ora, a essência substancial de

todas as mensagens divinas foi sempre a reafirmação do culto da Unidade Divina (ar.

Tawïd). A Muhammad (s.a.w.) Deus ordena que entregue uma última vez a mensagem

imutável: «Dize: «Na verdade, tem-me sido revelado, que o vosso Deus é Deus

Único: sereis, portanto, submissos?» (Alcorão, 21:108).

 

É a partir deste ponto doutrinal essencial que o Islão desenvolve a sua missão

universal. É graças a esta verdade última e imutável, sem interrupção de pôr em

evidência e incansavelmente repetido em todo o ensinamento Islâmico, que todo o

crente sincero, qualquer que seja a sua religião, está, em princípio, de igual modo

reconhecer no Islão a essência da sua doutrina e a plenitude da sua herança. Assim,

aquele que saiba ainda reconhecer os critérios da Doutrina monoteísta, autentificará a

Missão de Muhammad (s.a.w.) e, se agradar a Deus, será guiado para o Islão de modo

a regenerar aí a sua fé e de terminar a sua busca.

 

O Islão é um chamamento feito a todos os crentes Dirige-se à pureza e à

autenticidade da sua busca de Deus sem os obrigar. O proselitismo não é Islâmico.

Todo o Muçulmano, a exemplo do Profeta, está unicamente obrigado a transmitir

correcta e claramente a Mensagem Divina a quem bem a quiser entender; o

prosseguimento pertence unicamente a Deus. Mas esta transmissão da Mensagem não

se deve limitar a um ensinamento teórico. O Muçulmano deve, de facto, ser um

exemplo islâmico vivo, tendo valor de testemunho irrefutável a favor do Islão. Assim

sendo, o Muçulmano respeita os crentes das outras religiões autênticas e honra os

seus Profetas e os seus Livros:

 

«E não discutis com os Povos do Livro senão da melhor forma, excepto com

aqueles de entre eles que. São iníquos, e dizei-lhes: Nós cremos no que nos

foi revelado, assim como no que foi revelado antes; nosso Deus e o vosso é

UM e a Ele nos submetemos». (Alcorão, 29: 46).

 

M. Yiossuf Mohamed Adamgy

in Revista Alfurqán, nº. 122

Setembro 2001 /JamadálAkhir.1422

 

NOTA: "Allah" é uma palavra árabe que significa Deus. Não é Deus dos

Muçulmanos, nem Deus dos Árabes como aparece muitas vezes na Imprensa e, até em

certos dicionários portugueses. É preciso esclarecer que não há "Deus" especial dos

Muçulmanos que adoram o mesmo e um só Deus, venerado por todos os praticantes

das religiões monoteístas universais: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

 

Editado e publicado por:

Al-Furqán – Órgão para a Divulgação do Islamismo

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