Jesus (a.s) no
Islão
Por: M. Yiossuf
Adamgy,
in «Uma Introdução
ao Islão e aos seus Princípios»
Jesus (a.s. = paz
esteja com ele) foi um dos Profetas e Mensageiros de Deus, que apelou para a
unicidade de Deus. Em momento algum, Jesus (a.s.) reivindicou divindade para si
mesmo, ou pediu para ser adorado.
O seu nascimento
deu-se de uma virgem. Este foi um dos muitos milagres relacionados com Jesus
(a.s.) e permitidos por Deus. Jesus (a.s.) nasceu sem pai. No Alcorão, Deus
diz seguinte:
«Na verdade, o caso
de Jesus, perante Deus, é como o caso de Adão; Ele criou-o do pó, e depois
disse-lhe: "Sê", e ele foi.» [Alcorão 3: 59]
Deus criou Jesus
(a.s.), assim como criou tudo aquilo que existe na criação. Jesus (a.s.), Adão
(a.s.) e Eva (a.s.) são únicos, no modo como foram criados: Jesus (a.s.) nasceu
sem pai; Adão e Eva foram criados sem pai e sem mãe. Relativamente a nós, todos
nós tivemos pai e mãe. Acreditar que Jesus (a.s.) é o filho de Deus, ou que
Deus possui familiares, como é o caso de um pai, de uma mãe, de um filho ou
filha, é o mesmo que atribuir o acto de procriação ao Criador. [1]
Os Muçulmanos
acreditam que isto é politeísmo, o que é absolutamente proibido no Islão. De
modo idêntico, conceder atributos do Criador à Sua criação constitui um grande
pecado, o que, no Islão, encontra-se claramente em oposição ao monoteísmo. Esta
crença contradiz os ensinamentos de todos os Profetas e Mensageiros de Deus.[2]
Deus está para
além de qualquer atributo humano ou criado. Jesus (a.s.) é o Messias, o Cristo,
a palavra de Deus, o anunciado, enviado por Deus Misericordioso, enquanto
Profeta e Mensageiro.
Deus diz-nos
também que Jesus (a.s.), filho de Maria, não está morto, que foi elevado à Sua
presença. Os Muçulmanos acreditam que o regresso de Jesus (a.s.) será um dos
sinais dos Últimos Tempos. Quando Jesus (a.s.) voltar, virá como o líder dos
crentes e obedecerá à manifestação final da lei revelada por Deus a Muhammad
(s.a.w.) ■
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[1] Foi na antiga
cidade de Nicea (a qual se localiza actualmente na moderna Turquia, a cerca de
700 milhas ou 1100 km nor-nordeste de Jerusalém, perto da capital Romana
oriental), que teve lugar o Primeiro Conselho de Nicea, 325 anos após o
nascimento de Jesus (a.s.).
Foi nesse
Conselho que, por maioria, Jesus foi proclamado divindade, e não Profeta ou
Mensageiro de Deus.
O conceito da
Santíssima Trindade baseia-se na declaração de que Jesus (a.s.) é o mesmo e
igual a Deus.
Isto é uma
contradição directa aos princípios Abraamicos de monoteísmo, os quais o próprio
Jesus (a.s.) apelou aos povos que aceitassem.
[2] Embora
Cristãos e Judeus possam violar alguns dos princípios monoteístas da fé
Abraamicas original, o Islão refere-se-lhes como “O Povo do Livro”.
Eles são assim designados por terem recebido leis e Escrituras reveladas por Deus, e reconhecerem alguns dos Seus Profetas.